SOBRE A PROFISSÃO DE JORNALISTA
Ontem participei do 2º Encontro Paulista de Professores de Jornalismo, na Universidade Mackenzie, onde dou aulas. A velha discussão sobre a obrigatoriedade ou não do diploma para se exercer a profissão foi um dos assuntos que vieram à baila, ou "à balela", como Zagallo disse uma vez.
Não vou discutir os aspectos políticos e corporativos da questão. Seria algo muito extenso. Não caberia aqui. Além disso, algo diferente me passou pela cabeça enquanto eu ouvia os palestrantes de ontem.
Essa discussão interminável (diploma ou não?) que sobressalta toda uma categoria profissional tem origem na própria essência deste nosso ofício de narradores do cotidiano. O jornalista está a meio caminho entre o técnico e o artista. Tem de ter um pouco dos dois. Mas em que dosagem? Eis a questão. Se conseguíssemos responder a essa pergunta, lançaríamos novas luzes sobre esse assunto de diploma e faculdade.
Acho que pouca gente se disporia a embarcar num avião se soubesse que o piloto não fez nenhum curso regular, embora seja homem de grande talento natural. Você deixaria um autodidata lhe extrair um rim ou um dente de siso? Claro que não. Isso já seria, por si só, falta de siso. Mas, creio eu, você jamais recusaria ir a um concerto só porque o artista não tem diploma de conservatório nem registro na Ordem dos Músicos.
Pois então. Onde se situa o jornalista numa imaginária escala de zero a dez, que vai do músico ao piloto de avião? Se somos democratas (somos?), seria interessante ouvir a opinião de quem se vale dos nossos serviços. Ou seja, o público. Os não-jornalistas. Se nós próprios decidimos quem somos e, portanto, o que merecemos, podemos até sair lucrando no curto prazo, claro. Mas faremos o chamado quarto poder, já tão contestado pelas pessoas de siso, parecer-se cada vez mais com os outros três. E aí eu já não sei se vale a pena.
Escrito por Renato Modernell às 08h35
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